segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

TRADIÇÃO DA PÁSCOA


Páscoa é uma tradição cristã com origens pagãs
Ricardo Soca 
MONTEVIDÉU/MAR/2005

A Páscoa, a festa mais importante do cristianismo, celebra a ressurreição de Jesus Cristo e sua ascensão aos céus no terceiro dia, após a crucificação, mas sua origem é muito anterior ao próprio cristianismo.

Poucos sabem que, por trás da alegre celebração, marcada por almoços familiares e o costume dos coelhos e dos ovos de Páscoa, se escondem tradições milenares, cujas raízes remontam à pré-história.

De fato, tanto a ressurreição de Jesus Cristo quanto a festa pascal têm laços com antigas crenças e ritos pagãos que celebravam a chegada da primavera (no hemisfério norte) como uma volta da vida, uma ressurreição depois da noite invernal.

Com o cristianismo, a celebração em torno da tragédia litúrgica da morte e a ressurreição de Cristo, os povos europeus desenvolveram ao longo dos séculos crenças e cerimônias que derivam de antiquíssimos ritos pagãos relacionados com o tema da fertilidade e com a ideia da ressurreição.

A Páscoa cristã corresponde à "Pessaj" judaica, a celebração da travessia do Egito, quando um anjo enviado por Deus ordenou aos israelitas que pintassem a porta de suas casas com sangue de cordeiro para que os exterminadores enviados pelo faraó para matar os primogênitos evitassem entrar nestas casas.

Este foi o sinal para que os judeus fugissem da escravidão no Egito e, liderados por Moisés, iniciassem o Êxodo rumo à terra prometida 34 séculos atrás.

A Páscoa é, portanto, uma das palavras do nosso cotidiano com origem na antiguidade. A "Pessaj" dos judeus, que significa "passar ao largo" ou "saltear", chegou ao grego como "paska", através do cruzamento com o latim "pascuum" (local de pastagem, em alusão ao fim do jejum). A palavra grega foi assimilado pelo latim como "pascha", que no latim vulgar ibérico se tornou "páscoa".

Os gregos celebravam a cada primavera a volta de Perséfone, filha de Zeus e da deusa da Terra, Deméter, que retornava à superfície das profundidades do inferno, como símbolo da ressurreição da vida que ocorre a cada ano.

Os frígios (povo que habitava a região da Turquia atual no século X a.C.), por sua vez, organizavam festas de primavera com dança e música para despertar o seu deus que, segundo acreditavam, adormecia durante o inverno.

A festa judaico-cristã também tem vínculos com cultos germânicos muito arcaicos. O nome Páscoa em inglês ("Easter") e alemão ("Ostern") vem da deusa germânica do Sol (Austron, cuja festa principal se celebra na primavera), que na Grã-Bretanha tinha o nome de Eostre.

A festa pascal não tem data fixa porque se baseia não só nos ciclos do Sol, mas também no antigo calendário lunar.

Desde o Concílio de Nicéia, convocado por Constantino no ano 325 da nossa era, a Páscoa é celebrada no domingo seguinte à primeira lua cheia posterior ao equinócio da primavera, que ocorre por volta de 21 de março e marca o início da primavera no hemisfério norte(grifo meu)

Entre as tradições pascais mais arraigadas resta o costume dos ovos, símbolo da fertilidade em culturas européias pré-cristãs. Antigamente proibidos durante a Quaresma, apareceram na celebração da Páscoa durante os últimos séculos - frequentemente pintados ou decorados e, mais recentemente, de chocolate - como símbolos da nova vida e da ressurreição.

A lebre, que no Egito era um símbolo tanto de fertilidade quanto de periodicidade dos ciclos lunares e humanos, também esteve vinculada desde muito cedo com a Páscoa. Na moderna tradição americana, a lebre se transformou em coelho da Páscoa.



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